Investimento no ténis juvenil: ilusão ou uma aposta de futuro?
2009-03-06
Estado do Ténis de Competição em Portugal
Apesar do ténis em Portugal estar em alta, com os resultados positivos alcançados pelo Frederico Gil, Rui Machado, Michelle Larcher de Brito e Neuza Silva, quarteto com classificações bem dentro do top 200 dos respectivos rankings, e dos promissores esforços do Gastão Elias, Miguel Almeida, Martim Trueva e outros valores que ameaçam seguir-lhes os passos, todos têm em comum um aspecto muito importante: resultam de esforços particulares, lutando neste mundo do ténis muito competitivo, apenas com o apoio das respectivas famílias e patrocinadores.
A pobre contribuição da Federação resume-se a umas bolsas baseadas no desempenho, e algumas viagens a representar as selecções nacionais, e num passado recente, Frederico Gil, Neuza Silva, João Sousa e Leonardo Tavares, entre muitos outros, treinaram numa estrutura da Federação, o "Centro Nacional de Treino", entretanto extinto, optando depois pela integração em estruturas privadas, como as que agora elegem como local para se prepararem.
Infelizmente este bom momento do ténis Português não disfarça muitas dificuldades para quem quer levar o ténis mais a sério. O sistema escolar é cada vez mais exigente, com horários que ocupam cada vez mais horas do dia-a-dia dos nossos estudantes/atletas. A complicada conjuntura económica actual dificulta a captação de patrocinadores, e a comunicação social dá pouca atenção ao ténis reduzindo as possibilidades de retorno para eventuais patrocinadores, mas quando dá, o enfoque é muitas vezes em aspectos negativos do ténis em detrimento dos bons resultados que os nossos tenistas aqui e ali vão fazendo, tornando a modalidade ainda menos atractiva para patrocinadores. Aliás, nos últimos tempos têm surgido espaços noticiosos na internet, que para além de promoverem o debate de ideias, fazem chegar à comunidade do ténis Português os resultados de muitos atletas, de variadíssimos escalões, tanto a nível nacional como internacional, panorama no qual felizmente começam a conseguir com uma surpreendente regularidade, resultados positivos, ausentes desde o tempo dos pioneiros nestas andanças, Nuno Marques e João Cunha e Silva, gerando-se uma onda positiva como há muito não se via, enquanto a comunicação social só tem por hábito noticiar os acontecimentos do ténis mundial, e os raros resultados que os Portugueses nesse universo alcançam. Hoje em dia, qualquer pessoa ligada ao ténis directa ou indirectamente, para além dos jornais desportivos e da imprensa especializada, sabe que visitando esses sites na internet terá informação actualizada sobre mais portugueses para além dos atletas de topo.
Perante este panorama, vale a pena investir-se no ténis de competição juvenil?
Mais do que nunca agora, discute-se como na nossa modalidade se gasta muito dinheiro. Todos os casos de sucesso em Portugal são fruto de apostas privadas! Quando se tem um filho que começa a ganhar torneios a nível regional, a tentação de os comparar com os melhores nacionais é perfeitamente aceitável, o que traz naturais implicações em termos de custos, com as viagens pelo País. Nem todos os Pais têm disponibilidade para acompanhar os atletas, pelo que recorrem à única classe profissional do ténis em Portugal (para além dos poucos Tenistas Profissionais) - os Treinadores, o que aumenta os custos. O facto de se ser bom a nível nacional, associado ao sonho de se tentar ser profissional, justifica a comparação mais frequente com tenistas de outros países. Mas apesar de termos provas internacionais no nosso País de todos os escalões, não são muitas, pelo que é necessário, caso se queira manter a um nível elevado, que se compita fora do País. Este esforço todo por parte do atleta e respectiva família (a maior parte das vezes sem apoio de patrocinadores ou federação) é feito sem qualquer garantia de, no final de processo formativo do atleta, este ser um jogador profissional que se consiga sustentar. Este é um receio que atemoriza os Pais, que pressiona os atletas, pois têm consciência do esforço de quem os apoia, e que só uma capacidade acima da média faz com que saibam lidar com essa inevitável pressão, conseguindo os resultados.
Desses casos reza a história, como o caso do Pai da Maria Sharapova que chegaram a Miami, quando ela tinha 9 anos, com 1000 dólares para as despesas iniciais. Ou a Michelle Brito, que com igual idade, viu a Família mudar-se de Portugal para os Estados Unidos para tentar o melhor caminho para o profissionalismo. O problema é que estes são os casos públicos, em que o investimento, as dificuldades pelas quais atletas e respectivas famílias passaram, aliadas à capacidade das atletas, deram resultado. Quantos casos, desconhecidos pelo público, não tiveram o mesmo destino? Muitos tiveram o apoio financeiro, as estruturas de qualidade, mas não tinham talento, outros o inverso, tinham qualidade acima da média, mas faltava-lhes o apoio financeiro que suportasse as viagens para competir ou boas estruturas de apoio para lapidar as qualidades.
São muitas as características essenciais para se ter sucesso no ténis ao mais alto nível, e são raros os que as conseguem reunir. Mesmo assim, urge passar uma mensagem positiva a todos os Pais e Atletas que, conscientes destas dificuldades todas, se interrogam se vale a pena um esforço tão grande para um sucesso difícil de alcançar e de prever, ao longo do percurso dos atletas.
Então que retorno podem os jovens atletas e respectivos Pais ter, quando tiverem que ponderar quanto tempo e dinheiro devem investir no treino e na competição?
É preciso então pensar no que pode o ténis oferecer à maioria dos atletas jovens que investem tempo e dinheiro no ténis de competição juvenil como fases de preparação para o ténis profissional. Para além das características de quem dedica muitas horas de treino a uma modalidade, como a capacidade de trabalho e de sacrifício, a capacidade de concentração, a disciplina, o cumprimento de regras, o respeito pelos outros, que serão úteis para o resto da vida, outros benefícios se podem colher. Todos os jovens jogadores que dedicam muito do seu tempo ao ténis de competição, e em quem é feito um investimento grande, podem criar um caminho alternativo, caso o profissionalismo não seja o seu destino final no ténis, mas para o alcançar, o esforço é igualmente grande.
Uma hipótese que premeia a qualidade dos jovens tenistas é o ingresso no percurso da alta competição (selecção de atletas com potencial para serem atletas de alta competição) cuja atribuição está dependente de critérios bastante objectivos definidos pela Federação Portuguesa de Ténis e o Instituto do Desporto de Portugal. A idade mínima de atribuição é de 14 anos, e pressupõe o sucesso a nível internacional nos vários escalões ao longo do percurso no ténis juvenil (Sub-14, Sub-16 e Sub-18). Quando atribuído, o atleta tem dois anos para defender esse estatuto, desde que se mantenha dentro dos limites mínimos das classificações internacionais por um período mínimo de 60 dias definidos pela FPT e pelo IDP. Os benefícios são vários, mas destacam-se as vantagens no regime escolar, como por exemplo, matrículas em escolas fora da área de residência (para poderem treinar em melhores clubes, ter mais parceiros de treino e treinadores mais habilitados para o ténis de competição), escolha de um horário ou um regime de frequência que melhor se adapte à preparação desportiva e competição, faltas justificadas pelo IDP para treinos ou competições, alteração das datas de testes e exames de avaliação, professores acompanhantes que monitorizam e dão apoio extraordinário aos atletas e aulas de compensação e usufruem de um regime especial de acesso ao ensino superior.
Tendo então assegurado o acesso ao ensino superior, graças aos resultados que lhes permitiram manter o estatuto de alta competição, os atletas podem tentar perseguir o sonho de ser tenista profissional sem correr o risco de falhar o acesso a um curso universitário. Podem tentar conciliar os estudos com o ténis profissional, o que é muito difícil, ou, mais fácil protelar a frequência na faculdade enquanto se dedicam completamente ao profissionalismo, regressando à faculdade mais tarde. Vejam o caso do Rui Machado e do Frederico Gil, ambos com o 12º ano terminado e acesso à faculdade assegurado quando tinham 18/19 anos, que lhes permitiu encarar o profissionalismo com outra tranquilidade com os resultados que agora se vêem. Outra vantagem desta protecção no acesso ao ensino superior é desta forma possibilitar o acesso a cursos em faculdades públicas. É que o custo das propinas durante a duração de um curso numa universidade privada pode ultrapassar os 30.000€, ao invés do muito mais barato custo total de uma universidade pública, para não falar no prestígio no mercado de trabalho, que cursos de universidades públicas têm quando comparados com cursos em universidades privadas.
Outra hipótese muito interessante é a de conciliar os estudos universitários com a prática do ténis a um nível elevado: o Ténis nas Universidades nos Estados Unidos. O desporto universitário Norte-Americano é muitíssimo bem organizado, com condições excelentes (a nível de estruturas de apoio - complexos, treinadores, fisioterapeutas, apoio médico), e as universidades atribuem bolsas totais ou parciais para que os melhores atletas as representem em campeonatos universitários de equipas ou individuais. O aproveitamento escolar é condição sine qua non para manter a bolsa, como para integrar a equipa e poder competir, as condições de treino são excelentes, muito bem organizadas e sobretudo muito bem coordenadas com os estudos. A competitividade é muito acima da média, com a correspondente comparação a centenas de jogadores universitários, muitos deles, com capacidade para jogar com os melhores jogadores mundiais, para além de proporcionar uma experiência de vida no estrangeiro extremamente rica.
A maior parte das pessoas não sabe, mas são muitos os jogadores profissionais que passaram pelo ténis universitário norte-americano, antes de enveredar pelo profissionalismo. John McEnroe (nº 1 ATP em 1984), Brad Gilbert (nº 4 ATP em 1990 e antigo treinador de André Agassi, Andy Roddick e Andy Murray), Lindsay Davenport (Nº1 WTA em 1997), serão dos casos de maior sucesso.
James Blake (nº 4 em 2006 e actual 13º no ATP) conta no seu livro "Breaking Back", que, depois do liceu, graças a uma bolsa conquistada pela sua capacidade no ténis, seguiu para Harvard para tirar o curso universitário, objectivo que os seus Pais tinham para si, desde sempre, apesar dos bons resultados no ténis juvenil. Porém, o facto de no final do primeiro ano da faculdade se ter cotado como o melhor jogador dessa época do campeonato universitário, somado ao facto de nas primeiras participações em torneios de categoria Future ter alcançado excelentes resultados, rapidamente o tornaram alvo de patrocinadores que o apoiariam se apostasse no ténis profissional. A tentação foi grande e arriscou, prometendo à Mãe, que caso não fosse bem sucedido, regressaria a Harvard para acabar o curso. É um atleta que nunca frequentou as grandes academias nos Estados Unidos, e cujo grande objectivo foi sempre o de ter uma licenciatura. Arriscou no circuito profissional porque tinha um caminho alternativo!
Ter essa alternativa é o que sugere também Nick Bollettieri, que no seu livro "Bollettieri's Tennis Handbook" afirma, a propósito da dúvida entre o profissionalismo e os estudos universitários, que aconselha cerca de 98% dos seus atletas na academia a seguirem para a universidade em detrimento do profissionalismo. Porque acredita que aos 17/18 anos são muito poucos os que estão realmente preparados para ter sucesso no ténis profissional. No entanto, defende que, uma vez licenciados, e tendo passado alguns anos a competir a um bom nível no campeonato universitário, podem perfeitamente tentar o ténis profissional, que se não forem bem sucedidos terão sempre uma alternativa, na área em que se formaram.
Para os mais atentos, nas provas ATP no circuito Norte Americano de Verão despontam quase todas as épocas, alguns jogadores desconhecidos do grande público, com um nível surpreendentemente alto, normalmente com cerca de 23/24 anos. É normal pensar porque se vêem atletas com um nível tão alto, mas mais velhos do que a idade com que surgem os novos valores no circuito (entre os 19 e os 22 anos). A justificação é simples! Não estavam preparados para as dificuldades do circuito profissional com 17/18 anos, mas os anos passados no circuito universitário enquanto tiravam uma licenciatura, permitiu-lhes, anos mais tarde e mais maduros, ter sucesso no ténis profissional. Casos como o alemão Benjamin Becker (actual 121º ATP, 38º em 2007), que venceu o último encontro profissional de André Agassi, o bósnio Amer Delic (actual 146º ATP, 60º em 2007), o americano John Isner (actual 137º ATP, 81º ATP em 2008) ou o sul-africano Kevin Anderson (actual 108º ATP, 95º em 2008) são alguns entre vários outros exemplos.
Como podem ver no artigo do César Coutinho "Jogar ténis ou Trabalhar ténis" as bolsas nas universidades nos Estados Unidos equivalem, em média, a um investimento de cerca de 200.000 dólares. O campeonato universitário tem três divisões, e independentemente das ambições de cada universidade, todas estão dispostas e distribuir bolsas para quem as queira representar.
Temos vários exemplos de jovens portugueses que arriscaram, e seguiram para o melhor local do mundo para se conciliar o ténis com os estudos universitários, e ainda por cima sem terem de pagar por isso. Não são muito conhecidos da opinião pública em Portugal, e mesmo da comunidade do ténis nacional, porque as notícias do ténis universitário americano não são muito divulgadas cá, mas quem vai seguindo o ténis juvenil português há alguns anos, sabe que tanto primeiras linhas da sua geração, como o Vice-campeão Nacional Absoluto em 2002, Peter Rodrigues (1326º ATP em 2002 e 502º ITF Sub-18 em 2001), ou o hexa-campeão Nacional Juvenil Gonçalo Figueiredo (103º ITF Sub-18 em 1999), como segundas linhas das suas gerações como Nuno Jacinto (226º ITF Sub-18 em 2004), David Cardoso (568º ITF em 2004) ou Frederico Gonçalves (1073º ITF em 2004), todos têm em comum a frequência universitária nos Estados Unidos com bolsa graças ao ténis. Todos, uns mais a sério outros mais de forma mais ligeira, competiram em torneios internacionais, e essa experiência é fundamental para se ser "material" capaz de receber uma bolsa de estudo numa universidade americana.
O que acontecerá se mais atletas correrem estes riscos e fizerem opções semelhantes?
Importante é que os jovens Portugueses, que actualmente competem no ténis juvenil e os respectivos Pais, que fazem um esforço financeiro anos e anos seguidos, percebam que podem ter algum retorno sob a forma de curso universitário, no caso do profissionalismo ser uma miragem. Os melhores serão protegidos pelo percurso de alta competição, destinado aos melhores atletas de cada escalão, já que os critérios da Federação Portuguesa de Ténis e do Instituto Português de Desporto são exigentes, mas a alternativa universitária americana, muito mais acessível do que se pensa, é extremamente válida, mas exigente o suficiente para que os atletas que com 15/16 anos não se sentem capazes de ter sucesso como profissional de ténis, abandonando desanimados o ténis de competição numa fase em que se trabalharem, o ténis lhes pode oferecer algum benefício. Para isso têm que manter-se motivados e com objectivos bem claros e definidos, para tentar esta alternativa do Curso Universitário com Bolsa graças ao ténis, e quem sabe, depois de uma licenciatura, poder tentar o ténis profissional.
O ténis português tem muito a ganhar se mais jovens apostarem mais a sério na competição juvenil, sabendo que serão beneficiados, protegidos e apoiados para tirarem um curso seja em Portugal seja nos Estados Unidos, se forem bons no ténis!
Em Portugal, a grande parte dos Atletas e respectivos Pais, que são competitivos a nível regional/nacional, são desde cedo confrontados com a realidade, que se não forem estimulados com competição, que os atletas estagnarão. Cedo se apercebem do investimento que isso implica, e a única questão de fundo é se os atletas terão ou não nível para ter sucesso no nível profissional. Como a uma distância de 5/6 anos é difícil acertar-se nas previsões, seria excelente, se os Pais e os Atletas jovens do nosso País soubessem, que o trabalho no ténis pode ser recompensado mesmo para aqueles que não têm nível para ser profissionais de ténis.
Para que possamos evitar o abandono precoce, e ter mais atletas com bom nível aos 15/16/17/18 anos, é fundamental que os treinadores tenham conhecimento destas possibilidades, e ao aumentarmos o número de atletas dentro destas idades a treinar e a competir em condições em Portugal, o número de atletas que poderão tentar o profissionalismo será muito maior do que o que actualmente tenta.
Autor: Canedo, Pedro
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(3 comentários)
2009-03-18 21:53:36 | André Luso
O exemplo brasileiro nas palavras de uma empresa que ajuda a orientar jogadores para estudarem com bolsas nos EUAComo complemento á crónica do Pedro Canedo entramos em contacto com uma entidade brasileira que presta apoio a tenistas interessados em juntar o ténis aos estudos nos EUA beneficiando de bolsas e recebemos o texto que passa abaixo.
O nosso obrigado ao responsável da Crosscourt Esportes Albers Bernards pela explicação dada e respectiva autorização para publicação.
BOLSAS DE ESTUDOS NOS EUA PARA TENISTAS - UMA ALTERNATIVA INTELIGENTE
Nos últimos anos, o mercado do tênis tem procurado cada vez mais alternativas de desenvolvimento para os jovens jogadores que são revelados a cada ano.
A busca pelo profissionalimos é a meta sonhada pela maioria destes jovens.
Mas a dura realidade é que infelizmente a maioria deles fica pelo caminho.
A esta altura toda uma vida de treinos, viagens, gastos com materias e custos em geral some como poeira, junto com os sonhos destes jovens atletas.
Há também um outro problema ainda mais grave: Para ter uma carreira juvenil, muitos destes tenistas estudaram em colégios não tão fortes, o que por assim dizer, não os preparou adequadamente para uma busca de vagas em boas universidades, comprometendo o futuro destes jovens para o mercado de trabalho fora do esporte.
Alguns tornam-se professores ou treinadores mas a falta de vagas no mercado do tênis não resolve o dilema para todos.
Como fazer para possiblitar aos jovens jogadores a chance de usar o tênis como ferramenta de desenvolvimento em suas vidas, mesmo sem ter sido jogadores profissionais?
A resposta são as bolsas de estudos esportivas que as universidades americanas oferecem a estrangeiros.
Esta é uma alternativa inteligente que possibilita ao jogador continuar sua carreira esportiva jogando em alto nível, sem abandonar os estudos. Quando voltam estes jogadores estarão formados, falando um inglês fluente e podem escolher entre tentar continuar a carreira de jogador profissional ou entrar no mercado de trabalho da área onde se formou, onde pela excelente formação terá grandes chances de sucesso.
Se esta última for a opção, certamente o tênis será um diferencial importante nos relacionamentos dentro da corporação onde este jovem irá trabalhar.
Fazer parte da equipe oficial de uma universidade é uma experiência marcante, já que o esporte é extremamente valorizado nos EUA e as escolas gastam anualmente milhões de dólares construindo estádios, pagando técnicos de alto nível e investindo em infra-estrutura para os atletas.
Como o ambiente é bastante profissional, o estudante precisará de muita disciplina para conciliar os estudos com o esporte, mas são estas responsabilidades que farão do estudante uma pessoa mais preparada, disciplinada e organizada.
Os integrantes da equipe também serão a “família” que o estudante terá nos EUA, já que eles estarão envolvidos em atividades diárias como treinos, competições e viagens para torneios. Outro fator que facilita a adaptação dos atletas é a grande quantidade de atletas estrangeiros fazendo faculdade nos EUA, o que cria uma grande interação entre os mesmos, fazendo com que eles tenham uma “família” dentro da escola.
Nas universidades americanas, os atletas também possuem um ótimo conceito com os professores, já que, além de terem suas responsabilidades acadêmicas, eles ainda precisam fazer jus à bolsa de estudos que recebem.
Engana-se quem acha que as universidades são para jogadores que não deram certo no profissional.
O site da empresa brasileira especializada em bolsas de estudo, Daquiprafora cita vários exemplos de jogadores que colocaram-se entre os 300 melhores do mundo, após sair das Universidades. James Blake é o exemplo mais significativo desta realidade.
Some-se a isto a grande quantidade de torneios Futures que acontecem nos EUA durante as férias.
Estes torneios são realizados de 4 de Maio a 10 Agosto, em 12 semanas, justamente para possibilitar a participação de tenistas universitários.
O Clube Esperia em São Paulo, em parceria com a Crosscourt Esportes, a See You at College e DaquiPrafora acabam de lançar um programa
sob medida para os tenistas juvenis que tem como meta conseguir uma bolsa de estudos esportiva em universidades americanas.
O Programa inclui treinamentos específicos em quadra para o padrão de jogo americano, com muita ênfase nos jogo de duplas.
No programa também está inclusa a Preparação Física com a equipe da Crosscourt Esportes.
Na parte acadêmica, a empresa See You at College faz a preparação específica para os testes Toeffel e SAT.
A empresa DaquiPrafora garante as bolsas e cuida de todo o processo de admissão do aluno nas unversidades, onde o nível de cada jogador combinado com seu desempenho acadêmico, definirá para que tipo de universidade cada jogador irá.
A grande vantagem deste programa é que os jogadores fazem tudo no mesmo local, no Clube Esperia, evitando perda de tempo com deslocamentos no trânsito cáotico da cidade.
As excelentes instalações do Clube Esperia garantem um total aproveitamento do tempo dos tenistas.
O programa está disponível para jogadores de todo o Brasil.
Os contatos podem ser feitos pelos fones 2223 3324 ou 7879 5521.
Albers Bernardes
Crosscourt Esportes
2009-03-07 15:58:32 | António Paes de Faria
A importância de delinear e conhecer os caminhos que se podem percorrer no ténisMuito Bom!...
É com grande agrado que vejo o Pedro Canedo aqui a apresentar as suas ideias.
E espero que não seja a última.
O Pedro é um excelente representante de nova geração de treinadores, que já está a contribuir para o gradual e progressivo aumento geral da qualidade do ténis nacional.
Na realidade, é necessário tornar claro para os jovens jogadores e para os seus pais quais são os percursos que um jovem atleta promissor pode seguir.
Mas, além da informação, parece-me que também é importante que os treinadores e os Clubes — que formam jovens jogadores de referência — façam um trabalho específico e rigoroso na orientação e na programação da vida e percurso destes atletas, ajudando a rentabilizar o seu esforço e o investimento dos seus pais.
Facto que exige maior profissionalismo nas estruturas em Portugal que se queiram dedicar ao ténis de competição.
O futuro da evolução do ténis nacional ao nível profissional está estabelecer percursos sustentáveis para que se possa investir numa carreira.
O paradigma da procura de uma carreira profissional inclui sempre os jogadores e os treinadores, mas há muitas outras funções que necessitam do trabalho e dedicação de profissionais que, para além de competências específicas (acdémicas ou não) para determinadas tarefas, sejam conhecedores e formados no ténis...
2009-03-06 18:00:21 | César Coutinho
Parabéns Pedro pela excelente e detalhada crónica sobre as mais valias dadas pelo ténis. Penso que é vital dar a conhecer aos pais e agentes da modalidade quais os diversos benefícios de uma aposta mais séria no ténis, visto que há um pouco a visão de que ou sou profissional, ou não sou nada. O ténis funciona na maioria dos casos como um meio e não como um fim em si mesmo quando falamos de alto-rendimento. Isso é dito inclusivé por alguns dos melhores atletas da história como Rod Laver e Andre Agassi entre outros. E isto aconetece desde uma idade precoce. É preciso é ter os objectivos bem claros e perceber que há várias saídas a nível Nacional e internacional. O ténis abre as portas do mundo para aqueles que têm potencial, vontade e capacidade para fazer uma aposta mais séria na modalidade, e isto é algo que é preciso perceber. As licenciaturas podem ser tiradas antes, depois, ou mesmo durante um percurso ao mais alto nível, como é o caso do Mario Ancic que se não me engano está no 3º ou 4º ano de direito a estudar por correspondência enquanto viaja pelo mundo a jogar ténis. É necessário esforço, sim, mas as recompensas são enormes! A vários níveis! O investimento na altura certa multiplica-se várias vezes quer seja com um retorno mais rápido (atletas profissionais de um determinado nível), quer seja através de uma formação universitária numa universidade de topo mundial jogando ténis (retorno imediato e alongo prazo), quer seja pela entrada numa universidade de topo nacional na área pretendida, e/ou como treinador, ou numa carreira internacional de arbitragem como os nossos exemplos de elevado sucesso. Os conhecimentos que faz no mundo podem vir a ser vitais para o seu futuro, assim como a visão mundializada que adquire. Para que isto aconteça é naturalmente necessário que o processo seja bem orientado com objectivos bem claros em cada etapa e re-avaliação dos mesmos após cada período. Mas quando isto acontece, as vantagens são em larga escala superiores às desvantagens.Um Abraço
César Coutinho


