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Entrevista a Dr. José Maria Calheiros

2009-03-04 | Entrevista ao candidato Dr. José Maria Calheiros


Entrevista ao candidato á Presidência da Direcção da Federação Portuguesa de Ténis Dr.José Maria Calheiros.

BA: Para quando defende a realização destas eleições e porquê?
JMC: As eleições estão marcadas para o dia 28 de Março de 2009.


BA:Qual o seu percurso profissional e tenístico?

JMC: Sou advogado. Foi uma decisão que tomei muito cedo e é isso que continuo com gosto a fazer. Formei-me no Porto, mas quando acabei o curso fui para Lisboa, onde vivo. Estive ligado à Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa e à Faculdade de Direito da Universidade Católica, em Lisboa, onde leccionei como assistente durante 12 anos.

Em termos de ténis, a ligação é antiga. Comecei a jogar cedo no Ténis da Foz. Joguei nas camadas jovens - na altura, nos infantis e nos cadetes. Tenho óptimas recordações desse tempo. O Senhor Fernando, o Zé Vilela e tantos outros. E, claro, o meu amigo e companheiro de muitos treinos, Diogo Nápoles, que infelizmente nos deixou tão cedo.

Quando entrei na Faculdade parei. Acontece a muitos dos jovens tenistas. Essa é uma tendência que tem de ser invertida. Recomecei a jogar depois, já em Lisboa. Jogo regularmente duas ou três vezes por semana.
O desporto sempre foi, e continua a ser, essencial na minha vida.


BA: Quais os porquês da  sua candidatura?

JMC: No essencial, porque sinto uma dívida de gratidão para com o ténis.
Contribuiu decisivamente para a minha formação. Por outro lado, o ténis sempre foi uma paixão. Ponderei muito antes de avançar, porque conheço as dificuldades. Mas eu gosto de desafios.


BA: A sua candidatura é para um mandato completo de 4 anos ou depois dos novos estatutos aprovados haverá novas eleições?

JMC: Nos termos da lei, a FPT deve adaptar os seus estatutos até 26 de Julho de 2009 e deve realizar eleições para os órgãos federativos até ao final de 2010.

BA: Caso haja eleições depois dos estatutos aprovados será novamente candidato?

JMC: Isso não depende só de mim.


BA:Pode-se dizer que a sua candidatura é de continuidade?

JMC: Entendeu-se dever dar seguimento ao trabalho desenvolvido pela actual Direcção, superiormente presidida pelo Eng. José Corrêa de Sampaio. Por isso,concluiu-se pela apresentação de nova candidatura aos órgãos sociais da FPT.
Esta candidatura não é de ruptura, mas não deve ser vista como de mera continuidade.

BA:Haverá sangue novo e novas ideias ? Quais as ideias mestras do programa para o mandato?

JMC: Mesmo as pequenas mudanças, podem gerar grandes dinâmicas. Acredito nisso.
Temos cinco ideias base:

. Aumentar e melhorar a  base de praticantes, de jogadores e restantes
agentes desportivos
. Melhorar as condições para a Alta Competição
. Dignificar e reforçar a FPT, melhorando o funcionamento da estrutura
federativa
. Melhorar a comunicação
. Contribuir para a necessária alteração dos Estatutos.


BA: Está quantificado o quanto esta crise económica pode prejudicar o ténis em Portugal?

JMC: Ninguém sabe quantificar os efeitos da actual crise económica e financeira. Muito menos o seu impacto no ténis. Mas não se duvida que será muito forte. No entanto, isso não nos deve desencorajar. Com trabalho e
vontade consegue-se quase tudo.


BA: Dado os novos regulamentos desportivos serem realizados a pensar nos desportos de equipa de maior nomeada como irá a FPT combater essa situação junto da Secretaria de Estado do Desporto?

JMC: O novo regime aplica-se quer às modalidades colectivas, quer às individuais. E essa distinção já foi feita por Despacho. Mais do que combater (lutar contra), temos que nos adaptar à nova realidade. Por outro
lado, vejo a Secretaria de Estado e o IDP como nossos parceiros, como aliados. Temos que olhar para a mudança como uma oportuinidade de melhorar e de fortalecer a família do ténis.


BA: Entende que, tal como outras federações, a FPT deverá ter alguém profissional na direcção que exerça o cargo a tempo inteiro responsabilizando-se pelo cumprir dos projectos da mesma?

JMC: Se houvesse orçamento para isso, seria o ideal. Mas não há. Longe disso. Acredito firmemente que podemos ter uma equipa de amadores (no sentido de que são pessoas que amam o ténis) a trabalhar como profissionais.



BA: Qual o papel que a FPT deverá ter nas actividades desenvolvidas pelas Associações Regionais?

JMC: São complementares. Deve haver sintonia e união.


BA: Qual a diferenciação que deve haver entre o que faz a FPT e o que fazem as Associações?

JMC: A Direcção e o presidente da FPT tem as competências que estão definidas na lei e nos estatutos. Não há confusão, nem conflito de competências. Deve haver colaboração e complementaridade. Todos juntos ainda somos poucos para desenvolver o ténis em Portugal


BA: O que fará a FPT para uma maior divulgação do ténis a nível nacional aproveitando os resultados que estão a aparecer?

JMC: Temos que fazer uma aposta fundamental na comunicação interna e externa. O ténis tem de ter maior visibilidade. Temos que contribuir para tornar o ténis num desporto de primeira linha em Portugal. É uma das nossas prioridades. Não é uma tarefa fácil. Mas é possível.


BA: Quais são, na sua opinião, os principais problemas que os clubes enfrentam ?

JMC: Muitos e diferenciados. Mas temos que pensar mais nas soluções do que nos problemas. Há muito e bom trabalho feito nos clubes.

BA: Os clubes devem ser apoiados pela FPT? Se sim que tipo de apoios e para que tipo de clubes?

JMC: A FPT deve apoiar o ténis. Os clubes são a peça mais importante na estrutura do ténis. Portanto,devem ser apoiados. Sempre na medida do que for possível e de acordo com critérios objectivos.


BA: Em que áreas irá intervir mais? O que vai mudar consigo?

JMC: Para mim, o mais importante é pôr todos os agentes do ténis a colaborar no desenvolvimento do ténis. Isso só se consegue se houver boa comunicação entre todos. É nisso que nos temos de focar.


BA: O que foi bem feito pela anterior direcção que é para ter continuidade?

JMC: Ninguém é bom juiz em causa própria e eu estive na Direcção. Mas se tivesse que destacar dois sucessos, referiria o PNDT e o aumento de número de federados.


BA: Que erros foram cometidos pela anterior direcção?

JMC: No futuro, temos que comunicar melhor.


BA: Como espera criar melhores condições económicas para a FPT? De onde poderá surgir mais dinheiro para investimentos?

JMC: Essa é a parte onde prevejo mais dificuldades. A crise é geral, profunda e sistémica. Vamos dar o nosso melhor, mas não escondo que vai ser muito difícil. Essa é também uma razão para todos os que, directa ou
indirectamente, estejam ligados ao ténis, se unirem ainda mais.


BA: Dado a falta de sucesso na introdução do ténis escolar haverá esforços para investir mais nesta situação?

JMC: Não falaria de insucesso. Houve muitos esforços nesse sentido e também bons resultados. Há intervenções muito meritórias. E há casos de sucesso. É um trabalho para continuar e reforçar.


BA: Como se vão processar os apoios aos jogadores profissionais? Que retorno espera da parte dos jogadores?

JMC: Os apoios serão selectivos e criteriosos. Esperamos dedicação e empenho absolutos. Esse é o melhor retorno. Se cada um der o máximo, ficaremos satisfeitos. Estou convencido que os bons resultados vão continuar e que, no médio prazo, teremos mais campeões.


BA: CAR (Centro de Alto Rendimento)? o que é? Para que serve?

JMC: O CAR é um projecto do IDP e da Secretaria de Estado que a FPT pretende ajudar a desenvolver e a solidificar. Estamos a trabalhar nisso.

É importante sublinhar que o CAR não se destina a susbstituir os clubes, nem a fazer concorrência aos treinadores. Longe disso. Os clube são a base, os treinadores dos jogadores são essencais. O CAR será uma estrutura complementar e aberta para ajudar os jovens jogadores. Não vejo o CAR como algo separado e estanque do resto. O sucesso do CAR dependerá da forma como se souber relacionar com os atletas, com os treinadores e com os clubes.
Para além disso, tem de ser uma estrutura exemplar em termos de competência e qualidade.



BA: Como será aproveitada a nova nave de courts do Jamor?

JMC: Um dos aproveitamentos principais será o CAR. Mas o CAR não se reduz à nave, nem a nave se reduz ao CAR.


BA: Centro Nacional de Treino ou centros regionais de treino? Será algo para se apostar?

JMC: Temos que caminhar para vários centros regionais de treinos. Não são precisos muitos. Têm é que funcionar bem e em conjunto. O CAR poderá funcionar como um deles.Depois é preciso começar desenvolver um mais a Norte e outro mais a Sul, não esquecendo os Açores (onde já funciona um centro
regional de treino) e a Madeira.


BA: Irá haver reformas no modelo competitivo? Como incentivar mais e maior competitividade, principalmente nos escalões mortos de Sub-16, sub-18 e sénior?

JMC: É uma preocupação que temos. Para este ano já não será fácil fazer grandes alterações. Mas, no próximo ano, temos que olhar melhor para o calendário competitivo. Precisamos de previlegiar a qualidade das provas,
mesmo que em detrimento da quantidade.



BA: Haverá um circuito sénior apoiado pela FPT à imagem do Masters TMN e Cima?

JMC: No orçamento que foi aprovado pela Assembleia Geral da FPT não estão previstos apoios para a realização de um circuto sénior.

BA: Serão os rankings actualizados de forma mais célere de maneira a que possam ser utilizados durante o ano corrente?

JMC: Esse é o caminho.


BA: Caso haja uma entidade que, gratuitamente, se disponha a actualizar os rankings semanalmente -  como o bolamarela.com por exemplo, poderá a FPT aproveitar essa situação?

JMC: Tudo pode ser analisado e ponderado. Mas não podemos esquecer que o estabelecimento anual da classificação dos jogadores é um objectivo e uma competência estatutária da FPT.


BA: Há intenção de apostar na criação de uma prova internacional de responsabilidade da FPT?

JMC: Não é uma prioridade. A vocação da FPT não é a de organizar provas.


BA: Os campeonatos nacionais continuarão a ser realizados por terceiros que se candidatam?

JMC: Os campeonatos nacionais serão organizados por quem estiver melhor preparado para o efeito. Não temos posições dogmáticas neste campo. O que é essencial é que a FPT esteja presente e que os campeontaos sejam
dignificados.


BA: Que fará a sua direcção para melhorar um dos problemas mais referidos por pais e jovens jogadores - as poucas horas de treino que os horários escolares permitem?

JMC: É um problema estrutural, difícil de resolver. Temos os pés assentes na terra. Sabemos que não vai ser o ténis a mudar isso. Mas podemos contribuir para sensibilizar quem tem poder de decisão.


BA: Como irá a FPT incentivar jovens valores a optar pela profissionalização? E que apoios poderá a FPT dar aos mesmos?

JMC: Os apoios serão selectivos e criteriosos.

BA:Como poderá um predestinado com provas dadas mas com dificuldades económicas ser apoiado pela FPT?

JMC: O CAR servirá também para isso. É fundamental que nenhuma verdadeira promessa deixe de seguir o seu caminho por não ter meios para treinar.


BA: Quadros de torneios mal feitos, funções a mais, entrega tardia de resultados - Será com esta direcção que os regulamentos serão mesmo para cumprir identificando, avisando e castigando quem não os cumpre?

JMC: É fundamental cumprir e fazer cumprir os regulamentos. Mas essa tarefa é de todos. E não apenas da Direcção da FPT.

BA: Estatuto da carreira de treinador? Irá ser criado? Em que medida se podem apoiar os treinadores?

JMC: A formação dos treinadores é uma prioridade para nós. E, nessa área, é preciso melhorar também a comunicação entre todos os interessados.


BA: Qual a sua opinião sobre a recém criada Associação de Pais de Tenistas?

JMC: Todas as iniciativas que sirvam para unir a família do ténis e para desenvolver a modalidade são bem vindas. A relação dos pais com os filhos que jogam ténis é uma área onde também há trabalho a fazer. Antes de tudo o ténis deve ser visto como um contributo para formação humana dos nossos jovens. O resto vem por acréscimo.


BA: Que apoios tem a sua candidatura?

JMC: A candidatura foi, em geral, muito bem recebida. E isso é encorajador. Sobretudo quando se sabe que a tarefa é, tendo em conta o momento que vivemos, especialmente difícil.


BA: Qual será a sua equipa?

JMC: Se formos eleitos, contarei na Direcção com a Isabel Cunha d'Eça, José Vaz Pinto, Luís Cabral de Sousa, Miguel Martins, Patrícia Lopes e Pedro Salinas. São todos amantes do ténis e excelentes profissionais.


BA: Em caso de vitória como estará a FPT no final do seu mandato?

JMC: Vou fazer tudo para que esteja melhor. Mas não seremos nós a julgar isso.


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